dezembro 08, 2004
A Família

Desde há um ano e meio para cá que tenho vindo a conhecer um problema gravíssimo.
Não é um problema meu, é um problema de todos nós.
Principalmente nós, os que somos pais. A sociedade portuguesa é anti-família. Contribui deliberadamente para o fim das famílias. Se não reparem.
Uma pessoa, de um modo geral, para se sentir realizada precisa de harmonia entre o lado profissional e familiar.
O que vemos é que ambas as partes são extremamente exigentes. O emprego é de oito horas diárias, no mínimo.
É esperado que o empregado entre a horas, mas que não tenha hora de saída. É imprescindível que estejamos sempre disponíveis para o que for preciso.
É tudo isto e mais algumas coisitas que fazem de nós bons profissionais, aos olhos do empregador.
A maior parte das pessoas têm família, conguge e filhos.
O que acaba por acontecer é no mínimo assustador. vDepois dos quatro meses de licença de parto a mãe volta ao trabalho e o bebé começa a ir para a creche. A partir daqui começa o afastamento. Para podermos ser considerados bons profissionais acabamos por entregar os nossos filhos em creches, infantários, atl, etc.
Estamos com eles de manhã, muito à pressa, e à noite, quando já todos estão muito cansados.
O fim de semana passa a correr e é quando a família põe a lide da casa em dia.
As férias são um mês e nem todos as podem usufruir de uma só vez.
O casal, mal se vê. Encontram-se sob os lençois, entre um sonho e outro.
Quem pensar bem neste cenário de certo nem chega a formar família.
Acabam por as pessoas com quem menos tempo passamos, ao longo das nossas vidas.
Não será altura de se ver que para que possamos ter uma boa carreira profissional, necessitamos de ter uma boa vida familiar?
Que é bem provável que todos fossem muito mais produtivos, se podessem passar mais tempo e de maior qualidade, junto dos seus?
Há países em que isso acontece e parece que está a ter muito sucesso.
Mas em Portugal se não houver suor, sangue e lágrimas, todos dão o ordenado como não merecido! (continua)
Publicado por spadrao às dezembro 8, 2004 11:36 PM