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dezembro 06, 2004

Isenção


fotografia: Sílvia Padrão


Que este é um país atolado nas suas burocracias já todos sabemos, mas mesmo assim há situações que ainda continuam a surpreender.

O nosso sistema de saúde, o regime geral entenda-se, permite que em determinadas situações os utentes sejam declarados isentos, ou seja, isentos do pagamento de consultas, de tratamentos de fisioterapia, tenham um regime especial para o pagamento de medicamentos, etc.
Uma dessas situações é durante a gravidez. Todas as grávidas, que sejam utentes são automaticamente isentas.
Automaticamente é como quem diz. Pois mesmo com uma grande barriga é necessário que seja passado um papel a declarar a isenção, que deve sempre acompanhar a grávida, caso contrário não lhe é conferido esse direito.
Outra das situações é em caso de desemprego. E quem tenha o azar de estar desempregado tem de se inscrever no centro de emprego da sua área de residência, depois disso tem de ir comunicar a situação ao centro de Segurança Social mais próximo.
E um dia quando vai ao médico e julga que os documentos comprovativos do desemprego chegam para que seja passada a dita isenção informam-nos de que é necessário voltar ao centro de emprego e pedir uma declaração comprovativa, especificamente para o efeito.
Conclusão, porque é que não se trata tudo num só local?
Porque é que quando vamos fazer a inscrição no centro de emprego não nos dão logo a dita declaração e nos informam de todos os direitos que temos neste precário estado.
Para quê tanta burocracia?
Isto passa-se com desempregados, que até têm tempo livre, mas noutros assuntos, relacionados com quem trabalha de sol a sol, passa-se o mesmo.
Faz-me lembrar quando eu era pequena e brincava aos escritórios: papeis, papeis, carimbos e assinaturas para tudo e para nada...
Mas agora deixou de ter piada!

Publicado por spadrao às dezembro 6, 2004 06:55 PM