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setembro 30, 2004
Abono de Ninguém

Há uma preocupação geral com a baixa taxa de natalidade em Portugal, na Europa, no mundo. Da Europa e do restante mundo, não vou falar agora. A população portuguesa tem vindo a envelhecer e os governos têm procurado mover esforços para contrariar essa tendência...Será que têm?
O chamado abono de família nunca foi nada de especial. Quero dizer com isto, que nunca foi de facto um incentivo para aumentar a família.
O ano passado o escalões de atribuíção do abono foram reestruturados, para que o valor atribuído a cada família fosse mais justo.
Antes da restruturação, a minha filha recém-nascida recebia 70 euros por mês, com a restruturação (30 dias depois) passou a receber 50 euros. O valor passou a ser indiciado ao IRS dos pais/educadores.
Foram determinados 6 escalões, de acordo com os rendimentos globais, sendo que o 6º escalão diz respeito aos rendimentos mais elevados e o 1º aos rendimentos mais baixos.
Este ano volto a enviar a minha declaração de IRS (um pouco mais magrinha, já que passei o último ano desempregada) e verifico que pertenço ao 2º escalão. Ao fazer uma simulação do valor a estabelecer constacto com alguma surpresa que a minha filha vai passar a receber 25 euros por mês. Faço uma nova simulação, como se pertencesse ao 5º escalão e qual é a minha surpresa ao verificar que nesse caso iria receber 23 euros.
Um pouco chocada penso, como é que a diferença de valores entre os dois escalões pode ser de 2 euros?
25 euros para mim é dinheiro, sim. Mas chega só para uma embalagem de fraldas. A bebé gasta no mínimo duas. E o resto, estando eu desempregada? Inventamos. Mas este abono, não é de, nem para ninguém.
Publicado por spadrao às setembro 30, 2004 11:07 PM